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V Seminário O Professor e a Leitura de Jornal terá oficina de Vídeo na Escola

Paula Kimo: a idéia é promover um espaço de leitura e experimentação da linguagem audiovisual Paula Kimo: a idéia é promover um espaço de leitura e experimentação da linguagem audiovisual

Paula Kimo, da Oficina de Imagens, de Minas Gerais, será a responsável pela oficina Vídeo na Escola durante o V Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal,

que acontecerá na Unicamp, entre os dias 14 e 16 de julho. Um dos objetivos da oficina é discutir a alfabetização audiovisual.

O V Seminário Nacional O Professor e a Leitura do Jornal, que acontecerá na Unicamp, entre 14 e 16 de julho, terá como uma das oficinas "Vídeo na Escola", que será dada por Paula Kimo, da Oficina de Imagens, de Minas Gerais.

Paula é graduada em Comunicação Social - Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e pós-graduada em "Imagens e Culturas Midiáticas" pela Universidade Federal de Minas Gerais.

A expectativa da oficina, segundo Paula, é promover um espaço de leitura e experimentação da linguagem audiovisual de forma simples, com poucos recursos, algo que possa estimular a criatividade e o interesse dos educadores para produção de vídeo em processos educativos.

O V Seminário Nacional O Professor e a Leitura do Jornal é uma promoção da Associação de Leitura do Brasil (ALB), Faculdade de Educação da Unicamp/ Grupo ALLE, Programa Jornal e Educação (PJE)/Associação Nacional de Jornais (ANJ) e Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), com apoio da Fapesp, Capes e Faepex.

Confira abaixo a entrevista com Paula Kimo sobre o trabalho da oficina de Imagens:

1 - Há quanto tempo a Oficina de Imagens tem trabalhado com oficina de vídeos e com que públicos?

Na Oficina de Imagens os processos educativos que envolvem a produção de vídeo tiveram início em 1993, antes mesmo da organização se constituir legalmente, numa ação realizada na "Escola Pica-Pau" (construtivista), situada na periferia da cidade. Foi nessa escola que os jornalistas que fundaram a organização e iniciaram os experimentos para uso das técnicas e linguagens da comunicação no espaço escolar.

Em 1998 a ONG foi fundada e, desde então, o caráter experimental do trabalho sempre foi priorizado, especialmente nas oficinas de produção audiovisual. A história da ONG é longa, mas posso destacar algumas ações, especialmente aquelas que considero mais relevantes. Importante ressaltar que, na maioria das vezes, as oficinas de vídeo estão articuladas a um projeto pedagógico para a formação cidadã ou de intervenção sócio-cultural mais amplo. O vídeo, assim como a fotografia, o rádio, a internet podem favorecer o aprendizado de conteúdos diversos, a pesquisa, a livre expressão e opinião, o reconhecimento e a valorização das identidades, a promoção de canais de diálogo entre estudantes, jovens, professores, familiares, agentes culturais, moradores das comunidades, etc.

2 – Você pode citar alguns trabalhos realizados pela Oficina de Imagens?

No projeto JITE – Jovens Interagindo, realizado pela Oficina de Imagens de 2002 a 2006, as oficinas de vídeo tiveram como objetivo a pesquisa de opinião com adolescentes e jovens, de diferentes classes sociais, acerca do tema "enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes". Assim o vídeo serviu como ferramenta para ampliar o repertório do grupo sobre o tema. O processo de três meses gerou uma "vídeo-cabine" que posteriormente foi utilizada "milhares" de vezes pelos jovens em ações de mobilização. O público desse trabalho foram jovens de 16 a 24 anos, que já possuíam alguma experiência de liderança e intervenção em suas comunidades.

Tivemos uma excelente experiência com o vídeo nos Centros Sócio-Educativos de Belo Horizonte por meio do projeto Imagem e Participação. O público eram adolescentes (meninos e meninas de 14 a 18 anos) que cumpriam medida sócio-educativa de internação. Num primeiro momento o vídeo foi utilizado como estratégia para sensibilizar os adolescentes e convidá-los para participar do projeto. Chamamos isso de "mediação tecnológica". São oficinas onde o debate, a conversa, as dinâmicas são mediadas por uma estrutura de vídeo em tempo real. Essa proposta é bastante interessante para "quebrar o gelo" e discutir a relação das pessoas com a própria imagem e sua exposição.

Num segundo momento realizamos oficinas para elaboração de "vídeo-cartas". Nesse processo os meninos do centro de internação masculino puderam dialogar com as meninas do centro de internação feminino sobre a temática da redução da maioridade penal.

Num terceiro momento, quando a fase do projeto almejava discutir com os adolescentes seus "projetos de vida", o vídeo foi novamente utilizado para expressão das histórias individuais em 1 minuto. Essa foi uma oficina mais complexa, com duração de 5 meses, onde os adolescentes escreveram roteiros, produziram e gravaram seus vídeos. Por último, quando debatemos os 5 Direitos Fundamentais/ECA o vídeo foi novamente trabalhado para criação de "vídeo-clipes" (3 meses de oficina). Antes disso tivemos oficinas de rap para produção das músicas com temas relacionados aos Direitos. Isso aconteceu em 2007 e 2008.

3 – Vocês também realizaram o projeto Ocupar Espaços, que já envolvia o espaço urbano de forma geral. Como ele era e qual o seu objetivo?

Realizamos o projeto Ocupar Espaços de 2005 a 2008. Ele buscava envolver grupos culturais em processos de intervenção urbana por meio de "vídeo-instalações" com projeções de imagens em espaços públicos. Nessa ação, o vídeo foi uma ferramenta eficaz para que as pessoas pudessem "se ver na imagem", registrar seus trabalhos, experimentar novos formatos, dar visibilidade às suas demandas e pontos de vista. Os participantes foram crianças, jovens e adultos vinculados a Pontos de Cultura ou a grupos culturais em suas comunidades.

O projeto se iniciava com um grupo de Criação Coletiva que definia o que seria produzido e onde seria exibido. Em seguida eram realizados laboratórios de criação (oficinas). Nesse projeto desenvolvemos a proposta do "vídeo-dispositivo", algo que provoca a produção das imagens sem que os produtores tenham muito controle. No "vídeo-dispositivo" são aplicadas algumas regras para criação e todo vídeo se desenvolve a partir delas. É uma forma simples e experimental que gera produtos e reações interessantes. Esse projeto gerou um acervo bem extenso, disponível na galeria de vídeos do site www.ocupar.org.br. No Ocupar Espaços começamos a trabalhar o vídeo com edição em software livre, visto que o projeto buscava também fomentar a política da cultura livre.

A mesma proposta de vídeo-dispositivo foi utilizada no projeto IrRadiando (2008 e 2009) com jovens do semi-árido mineiro. As oficinas tinham uma semana de duração. Como tínhamos pouco tempo o "vídeo-dipositivo" foi uma boa opção metodológica.

Por fim, no projeto Comunica Escola, trabalhamos o vídeo com estudantes de 12 a 14 anos de escolas municipais (2008 a 2010). Na escola o vídeo serviu, principalmente, como ferramenta para pesquisa, para conhecer e socializar a visão de todos da comunidade escolar sobre determinado assunto. Serviu também para que os estudantes pudessem expressar sua visão acerca do cotidiano da escola (quando montaram uma ficção que reconta parte da rotina escolar). Os vídeos foram realizados pelos estudantes, entretanto, os professores e funcionários participaram cedendo entrevistas ou atuando como figurantes na ficção. Na escola o vídeo gera um amplo processo de mobilização. Luzes, câmeras.. tudo chama a atenção de todos.. algo de diferente está acontecendo na escola.

4- Qual a importância de trabalhar com vídeos em escolas e ambientes educativos de forma geral?

É importante trabalhar a chamada "alfabetização visual". Desde a época das pinturas, da fotografia, depois passando pela TV, cinema e internet, a imagem tem uma boa parcela de contribuição na formação social e humana das pessoas. Na escola somos alfabetizados para ler o mundo em palavras, mas ainda temos uma grande demanda pela formação para leitura das imagens, para interpretação dos diversos sistemas de representação visual. Com isso, torna-se essencial em um processo educativo considerar a dimensão técnica, política, estética e ética das imagens que consumimos diariamente.

Geralmente, nos projetos com jovens e professores, trabalhamos a metodologia Latanet (www.latanet.org.br) que propõe aos participantes conhecer e explorar algumas características das imagens, desde a formação físico-ótica da imagem (por meio da construção de câmeras escuras), os processos fotográficos (em laboratório) e digitais (foto e vídeo), até a interpretação crítica de imagens e o intercâmbio de informações. Nessa metodologia experimentamos e sistematizamos um método para leitura e interpretação de imagens que utiliza referências de diversas épocas, do Renascimento às referências da TV que temos hoje.

O vídeo entra na escola como um dos componentes da alfabetização visual, da leitura e produção de imagens. Uma especificidade do vídeo é que ele chega às nossas casas por meio da televisão ou da internet. Nesse ponto é preciso refletir sobre os valores e padrões de comportamento que são disseminados por esses meios. Daí entra toda uma discussão sobre qualidade de informação, classificação indicativa, leitura crítica de programas e os tipos de acesso na internet. A escola, assim como a família, precisa estar atenta aos conteúdos veiculados e participar dos momentos de interpretação. Também as crianças, adolescentes e jovens precisam se responsabilizar neste processoa medida em que começam à conhecer, interpretar e selecionar de maneira crítica as informações da mídia.

5 – Que resultados vocês conseguem verificar nos professores,e alunos e participantes em geral das oficinas?

Para os participantes das oficinas os resultados variam de acordo com o contexto. Vou listar alguns: valorização da auto-imagem; aumento da auto-estima e possibilidade de divulgar seu grupo cultural, sua escola, um projeto que participa, uma banda. Há também a ampliação de repertório acerca de temas diversos, na medida em que o vídeo segue o objetivo da pesquisa. Capacidade para interpretação crítica dos produtos audiovisuais, porque à medida em que os participantes conhecem e vivenciam um processo de edição de vídeo, começam a ver de outra forma os conteúdos da TV, começam a entender o processo de seleção e recorte da "realidade". Para produzir um vídeo é necessário trabalhar em equipe e percebemos resultados quanto à cooperação entre os participantes. Há também o aprendizado das técnicas de enquadramento, iluminação, manuseio dos equipamentos, etc.

6 – Vocês percebem algum tipo de resistência por parte dos educadores em relacionar mídia e educação?

Acredito que não seja uma resistência, mas sim uma dificuldade em adentrar este universo. Primeiramente precisamos lembrar que o professor que hoje leciona na maioria das escolas públicas do Brasil não teve em sua formação conteúdos ligados à mídia e educação. Para desenvolver um processo de leitura crítica de mídia, por exemplo, é essencial que o professor se incomode com os conteúdos que ele e seus alunos acessam na TV, é preciso que ele faça a leitura crítica dos conteúdos que ele próprio consome. Do contrário, como ele poderia promover um debate como esse em sala de aula?

Outro desafio para os professores (enorme) é a utilização das técnicas e ferramentas de produção: equipamentos, câmeras, tecnologias digitais e, além disso, a apropriação de metodologias para uso desses recursos. Mais um limitador pode ser a tradição do currículo escolar com seus tempos, métodos e espaços já determinados. São alguns pontos que, na minha opinião, reduzem as possibilidades de intervenção do professor neste campo. Em outras palavras, "desanimam".

Entretanto, percebe-se uma grande valorização desse campo por parte dos professores. Sempre nas palestras, espaços de formação, os professores são muito presentes quando o tema é mídia e educação. Percebe-se nas falas um sentimento de que precisamos fazer isso, mas como fazer? Lembro de uma professora que conversava comigo sobre um trabalho de fotografia que ela queria fazer na sua escola, para valorizar os espaços da escola. Conversamos, tivemos idéias juntas, planejamos... No final da conversa ela disse "mas vocês vão fazer as oficinas, né?".

Todos esses desafios precisam ser analisados e encarados como desafios das políticas públicas no campo da educação. Acredito que já avançamos bastante principalmente no item hardware (máquinas, equipamentos, infra), entretanto ainda é necessário pensar no sentido dos softwares (é uma metáfora que usamos), nas formas de ensinar e aprender com a mídia, com a comunicação.

7 – Muita gente acha que é muito complicado trabalhar com vídeo imaginando uma parafernália enorme de equipamentos. Que dica vocês dariam para quem quer começar a fazer um trabalho de forma simples e com poucos gastos/equipamentos?

De fato trabalhar com vídeo pode exigir uma parafernália se pensamos no cinema, na TV, nos produtos para comunicação de massa, ou até mesmo para distribuição dirigida. Entretanto, na escola, o vídeo tem outras funções. Desde "se ver na imagem" até mostrar sua escola, pesquisar a opinião das pessoas sobre um tema, reciclar uma mídia, provocar a expressão criativa e artística nos alunos.

Não há necessidade de termos um rigor técnico, um produto bonito (muito perfeito), para os trabalhos de vídeo na escola. O trabalho com câmeras em aparelho celular ou câmeras fotográficas digitais (essas domésticas) pode ser um bom começo. Estes aparelhos possuem algumas limitações técnicas, mas que podem até mesmo contribuir com o processo criativo. Existem alguns exercícios como a produção de imagem em sequência, "vídeo-poemas", "vídeo-cartas", imagens para sons, "gravar editando", etc, que facilitam o trabalho do professor e geram um produto simples, na mesma oficina.

Serviço: V Seminário Nacional O Professor e a Leitura do Jornal
Local: Unicamp
Data: 14 a 16 de julho
Realização: ALB, Programa Jornal e Educação/ ANJ, Grupo RAC, Faculdade de Educação da Unicamp/ Grupo ALLE
Apoio: Fapesp, Capes e Faepex
Informações: www.alb.com.br

 

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